Vítima de negligência médica, Fernanda Miranda ajuda outras mulheres através da comunicação #PetalasGuerreiras

“Descobri o câncer de mama aos 33 anos. Eu tinha um nódulo de 1 cm, o médico fez a retirada de uma parte do nódulo para saber o que era e me disse que era apenas um tumor benigno. Mas percebi que o nódulo começou a crescer. Voltei ao mastologista e ele insistia que era nada. Aquilo me incomodou, porque se estava crescendo, onde aquilo iria parar? Fui em outro médico e ele me falou que poderia ser câncer de mama. O tumor já estava com 5 cm e percebi que fui vítima de negligência médica.

Na biopsia deu que era um câncer alimentado pelo estrógeno (hormônio feminino). Tive que bloquear o hormônio, ou seja, entrar na menopausa para não ter o que alimentasse o tumor. Esse momento foi difícil: uma semana você acha que tem só um nódulo benigno e na outra semana você é encaminhada para a oncologia.

Estava no auge da minha carreira e tive que parar tudo. Foram sessões de quimio e radioterapia, fiz a mastectomia [retirada das mamas] com reconstrução imediata. Depois comecei a só fazer o controle com bloqueador hormonal. Isso em 2013.

Em 2015, tive a recidiva do câncer. Comecei a tossir e achava que era alguma virose. Tomei corticoide e não passava, então o médico pediu para fazer uma tomografia. Descobri que estava com nódulo nos pulmões. Esse momento foi pior do que o primeiro diagnóstico, porque quando você descobre que está com metástase [quando o câncer se espalha para outro lugar] você não trabalha mais com a ideia de cura.

No início do segundo tratamento, passei no mestrado de comunicação e saúde. Analisei o uso do Facebook por mulheres com câncer de mama para saber se a rede social contribui para o empoderamento delas. O que puder fazer no meu trabalho e na vida acadêmica sobre o câncer de mama, vou fazer.

“É um movimento muito bacana que tem acontecido das mulheres assumindo a sua careca, às vezes é muito chato ter que usar peruca ou lenço no calor. Você assume a sua careca, que está fazendo tratamento e que vai superar isso”, diz Fernanda (Foto: reprodução)

Também compartilho a minha experiência com outras mulheres que vivem com câncer de mama. Tenho o maior prazer de conversar sobre isso, porque é diferente quando a gente escuta uma enfermeira ou médico e quando a gente escuta alguém que realmente está passando ou passou por aquilo.

Acho que o câncer de mama vem deixando de ser tabu na mídia, mas deve ser falado o ano todo. Ele é o câncer que mais atinge as mulheres e você vai deixar para falar em outubro? Ele é muito mais tabu entre algumas mulheres do que na mídia. Tem mulheres que têm vergonha, não querem se identificar, acham que estão sendo punidas por alguma coisa. Quanto mais a gente fala, mais acaba com essa ideia. Ninguém tem culpa de ter câncer. A gente tem responsabilidade, sim, sobre o nosso corpo, mas a gente tem que falar para as pessoas não terem vergonha.”

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