Feito sob medida para o cliente, Whatafuck inova em planejamento empresarial

Inaugurada em 2015, hamburgueria mantém seu consumidor no centro da experiência de consumo
 Por: Amanda Kurlapski e Anne Ehlke
“Não fomos os precursores da cultura de rua e de baixa gastronomia na cidade, mas talvez não seja prepotência dizer que fomos o acelerador da parada”, diz Daniel Mocellin (Foto: Reprodução/Facebook Whatafuck Hamburgueria)
O século XX ficou conhecido como a Era da Propaganda. O objetivo das empresas e agências de publicidade era fazer com que as pessoas quisessem seus produtos. Agora o objetivo é fazer produtos que as pessoas queiram. Isto é o que publicitários dizem e é o que jornalista Daniel Mocellin fez.
Com experiência em comunicação para o campo gastronômico, Daniel percebeu erros estratégicos por parte dos restaurantes: a maioria nasce do desejo do dono, não da vontade dos clientes. “O restaurante tem que estar baseado naquilo que as pessoas querem, não naquilo que você quer montar e servir”, afirma.
Até 2015, os jovens tinham pouca opção de comida na Avenida Vicente Machado. Com base nisso, o jornalista decidiu criar, junto com o seu sócio Guilherme Requião, o Whatafuck Hamburgueria.
Foram oito meses de planejamento. O primeiro passo foi pensar com quem não queriam dialogar e por que. Assim definiram que o Whatafuck não é para todo mundo, ou pelo menos para quem quer comer sentado à mesa.
A partir disso, mapearam o público-alvo da hamburgueria e se dedicaram no sentido de atendimento, comunicação e linguagem para satisfazer esse público. “As redes sociais, a música, a pegada do lugar é muito pensada para a galera que é mais da rua”, explica.
Outra falha das empresas é que elas investem em pesquisa só quando estão abrindo, esquecendo-se de que seu público-alvo muda de gostos e pensamentos com o passar do tempo. Esse é o diferencial do Whatafuck: seus donos continuam a procurar a opinião do seu público para entender suas mudanças e, assim, melhorar a experiência de consumo.
Além de ser o responsável por essa experiência do consumo, Daniel se esforça para que eles estejam um passo à frente de todos. E é disso que surgiu a Roots e Whatastore.
Roots é a lanchonete onde são vendidas batatas-fritas e cervejas. Whatastore é a loja recém-inaugurada com produtos do Whatafuck e de marcas amigas que se encaixam no seu público-alvo.
“A Vicente é a primeira avenida da cidade que você vai estar na rua à noite comendo um hambúrguer ou uma batata, bebendo e podendo comprar uma coisa muito legal. Whatafuck, Roots, Whatsatore… tudo serve para deixar o Whatafuck em evidência”, diz Daniel.
A organização de eventos com hambúrgueres grátis para os 1000 primeiros que forem vestidos com uma roupa cor-de-rosa em um dos dois Whatafuck e o hambúrguer de costela a um real também são exemplos de estratégias adotadas para fazerem dos seus estabelecimentos um sucesso de divulgação. “O custo de uma ação dessa não é muito maior do que comprar uma página dupla numa revista, por exemplo. O que vale mais a pena? Se eu distribuo 1000 hambúrgueres para a cidade, consigo mídia espontânea sem gastar um centavo com isso”, conclui.

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