Do luto à luta, a história de Patrícia Gil #PetalasGuerreiras

“Soube do câncer de mama em maio de 2015. Como estava localizado na parte inferior do seio e tinha uma retração quase imperceptível, não percebi. Quem descobriu foi meu marido. A minha reação não foi muito diferente das outras pessoas que já viveram um diagnóstico desse. Tive muito medo, e achava que o câncer era uma sentença de morte.

Primeiro vivi um período de luto. Foram várias fases de sofrimento até entender que eu precisava reagir e lutar. Isso é uma reação completamente normal para a maioria das pessoas que descobrem um câncer. Acho que o período de luto precisa existir para que venha em seguida o período de luta.

Enquanto lutava, pensei principalmente na minha família e em tudo que eu tinha vivido até ali e o quanto ainda queria viver. A ideia de que poderia ser um fim não batia com a minha realidade, não era real! Eu ia sair daquilo. Descobri que era mais forte do que imaginava, que era preciso viver um dia de cada vez, que existe vida, sim, pós-câncer e que temos um período muito curto de tempo por aqui e devemos entender isso para praticar coisas boas, ser solidário e aprender a ver Deus nas pessoas.

Durante meu tratamento, conheci a Fundação Laço Rosa através de um convite para estrelar uma campanha publicitária junto com a atriz Alexandra Richter. Em outubro de 2016, fui convidada pela presidente voluntária da Fundação para ser embaixadora em Minas Gerais. Lá tem uma carência grande de levar informações para moradores mais distantes e a Fundação entra justamente aí, na disseminação de informação da doença e da prevenção ao tratamento.

Patricia em evento da Laço Rosa no Shopping Poços de Caldas (Foto: reprodução)

Também faço um trabalho voluntário que consiste na elevação da autoestima das pacientes e acolhimento do paciente e sua família. O foco não é presentear com objetos, muitas pacientes não têm problemas financeiro; o que elas mais querem, independente de classe social, é um abraço apertado, companhia para estar ao lado delas para uma seção de quimioterapia, uma conversa, um sorriso… Enfim, o trabalho é totalmente voltado ao bem-estar da paciente no período de tratamento.

O que sempre digo para quem está passando pelo câncer de mama é: lutem! Se tiver que chorar, chore! Mas não façam disso um estado permanente, o tratamento depende muito do seu estado emocional para que ele dê certo. Não se isole! Por mais que seja muito difícil, levante todas as manhãs, se olhe no espelho e acredite que será apenas uma fase difícil e vai passar. Existe vida pós-câncer, acredite, pois sou prova viva disso!”

2 comentários sobre “Do luto à luta, a história de Patrícia Gil #PetalasGuerreiras”

  1. A historia de vida da Patricia Gil é fonte de energia vital para muitas mulheres.
    Precisa ser divulgado. Este é um relato veridico. Do luto à luta. A força de vencer um dia a apos outro, o foco na vida e a fé em Deus que o tratamento vai dar certo é tudo.
    Deus abençoe sua vida Patricia Gil.

  2. Quando me lembro de ouvir da Patrícia que ela teria que fazer o tratamento e como seria, passei dias pensando em como estava seus pensamentos e seus filhos, os quais convivo quase todos os dias. Pude presenciar algumas das fases do tratamento e das transformações com as reações da medicação. Mas nunca a vi desanimar e demonstrar fracasso. Fico muito feliz com o passar para a frente essa experiência e informações. Parabéns!

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