Aos 17 anos, Patrícia Prandini perdeu sua mãe para o câncer de ovário. 17 anos depois, descobre que tem câncer de mama #PetalasGuerreiras

“Descobri o câncer logo depois que tinha me separado e parado de amamentar meu filho. Procurei meu ginecologista/obstetra e ele pediu para fazer mamografia, mas guardei o pedido. Não queria fazer, porque achava arcaico, e fui trabalhar, pois estava prestes a inaugurar uma loja.

Inaugurada, cai em uma tristeza profunda pela separação. Procurei uma médica que pediu outros exames, juntei todos e o diagnóstico veio da ressonância que insisti em fazer. A mamografia não identificou o tumor. Se não fosse a ressonância, não descobriria tão no início.

A parte devastadora do câncer de mama foi retirar as mamas, era meu ponto fraco no meu corpo. Eu tinha seios lindos e achei que jamais colocaria próteses, mas queria prevenir de outro câncer.

Também foi complicado conciliar a minha vida de empresária com a rotina do tratamento, pois meu diagnóstico veio dias após a quebra do Lehmann Brothers, que foi o início de uma crise mundial. Isso e minha fragilidade foram determinantes para meu negócio acabar dois anos depois. Mas trabalhei durante todo o tempo.

Para enfrentar tudo isso, busquei forças nos meus filhos. Perdi minha mãe para o câncer de ovário aos 17 anos. Ela teve câncer de mama aos 40 e faleceu com 52 anos. Sofri muito com a sua perda e não queria esse sofrimento para os meus filhos. Recentemente, descobri que herdei da minha mãe a mutação genética que aumenta para mais de 80% o risco de câncer de mama e 70% de ovário.

Depois do câncer, voltei a fazer terapia e tratei muitas das minhas dores que não conseguia antes. Me tornei uma pessoa mais tolerante, generosa e grata. Sei que tive um tratamento maravilhoso que poucas têm acesso. E penso muito menos no futuro, vivo o agora.

Patrícia com a camisa da campanha contra o câncer de mama metastático do Instituto Arte de Viver Bem  (Foto: reprodução)

Já fiz palestras, fotografias para exposição, participei de eventos e contribuo financeiramente no combate ao câncer de mama. Também participo de duas ONGs e de um instituto, mas não encabeço como antes. Tive muitas ideias que ainda gostaria de executar, mas há muita dificuldade de verba. Como vejo pessoas mais recentes se envolvendo com fôlego novo, acho que já é hora de me desconectar um pouco.

A mensagem que deixo para mulheres que enfrentam o câncer de mama é: never give up! Você voltará a ser linda. Só que além de linda, melhor como ser humano.”

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